07/01/2018

Advogado deixa Sergipe para lecionar em Engenheiro Coelho

Me. Dilson Cavalcanti Batista Neto é professor do curso de Direito do Unasp-EC e doutorando da PUC-SP

Nathália Lima

Sair da casa dos pais, deixar a terra natal e se aventurar em outros cantos do Brasil é parte da rotina de muitos estudantes de Engenheiro Coelho. O Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), localizado na área rural do município, abriga moradores das mais diversas regiões do país.

No entanto, nem sempre esses transeuntes que de longe vêm conseguem empreender e aprofundar suas carreiras profissionais em terras coelhenses. É nesse aspecto que a história do advogado Me. Dilson Cavalcanti Batista Neto sobressai perante muitas outras.

Nascido em Aracaju (SE), Neto formou-se em 2009 no curso de Direito pela Universidade Federal de Sergipe. Em 2010, mudou-se para Salvador para cursar o Mestrado em Direito, na Federal da Bahia. Antes mesmo de concluir o mestrado, conheceu o Unasp e, seis meses mais tarde, tornou-se professor do campus. Atualmente, Dilson é doutorando em Direito pela PUC-SP, e deve concluir esta etapa no início do próximo ano.

Na entrevista deste domingo (7), você conhecerá mais sobre a história deste advogado que se tornou professor, viajou mais de 2.200 quilômetros e fixou moradia na pacata Engenheiro Coelho para aprofundar sua experiência na área acadêmica.

Confira entrevista na íntegra:

Morando tão longe daqui, como surgiu a oportunidade de vir para Engenheiro Coelho? Foi quando eu estava no finalzinho do mestrado.  Conheci o então coordenador do Curso de Direito do Unasp, o Prof Josias Bittencourt, em um evento em Brasília. Conversamos um pouco sobre carreira acadêmica e houve um interesse recíproco. Seis meses depois veio o convite para integrar o corpo docente do Curso aqui em Engenheiro Coelho. Desde o segundo semestre de 2012 que tenho o prazer de morar e lecionar aqui.

O que você fazia antes de vir para Engenheiro Coelho? No primeiro semestre de 2012, após concluir o mestrado, eu regressei para Aracaju (SE) e comecei a dar aulas na Faculdade de Sergipe, que pertence ao grupo Estácio de Sá.

O que você precisou “deixar” em Aracaju para seguir esta carreira? No campo profissional, vir para Engenheiro Coelho significou escolher me dedicar totalmente à carreira de professor. O plano sempre foi que, após o mestrado, eu iria lecionar e, ao mesmo tempo, estudar para concursos públicos. Ao aceitar o convite de vir para cá, todo meu esforço passou a ser destinado ao crescimento intelectual e à formação dos meus alunos. No campo pessoal é que realmente está a instituição mais importante que tive que deixar: minha família. Eu e minha esposa, Wanessa, somos aracajuanos e deixamos todos lá.


“Todo meu esforço passou a ser destinado ao crescimento intelectual e à formação dos meus alunos”


A distância da família atrapalha? Confesso que é muito difícil este aspecto familiar. Estar perto quando coisas boas e ruins acontecem é a essência da família. As tecnologias ajudam muito para aplacar a saudade, como as chamadas de vídeo. Mas um ponto que realmente faz a diferença são as amizades que construímos no decorrer destes anos aqui. Já que muitos colegas e amigos que moram aqui também estão longe de suas famílias, acabamos nos irmanando em nossas saudades e formando uma família coelhense.

Você tem estudado e se aprofundado no Direito. Qual é o tema do seu doutorado? Meu doutorado é na área de filosofia do direito. Apesar de muitos acharem que a filosofia é abstrata e às vezes incompreensível, tento demonstrar como pensar questões atuais à luz de conceitos filosóficos. O problema central da Tese é investigar quais os limites da liberdade de expressão dos religiosos na esfera política e pública. Por exemplo, como o discurso religioso pode ser utilizado por parlamentares, juízes, prefeitos, sem ferir o princípio da Laicidade, já este define que o Estado deve estar separado das denominações religiosas. Decidi realizar esta pesquisa, entre outros motivos, para ajudar na compreensão de conceitos como liberdade religiosa, laicidade e para lidar também com algumas questões polêmicas atuais como se o Estado pode criminalizar o discurso religioso que se posicione contra as uniões homoafetivas como “homofóbico”.

Qual é a importância de seguir estudando? Foi a dedicação aos estudos e à pesquisa durante a graduação que me levaram, imediatamente após a conclusão do Curso, ao mestrado. E, de igual forma, foi o esforço durante o Mestrado que me levou ao meu primeiro emprego e, posteriormente, me trouxe para cá. Estudar significa sempre abrir portas. Nesse sentido, nunca quero parar de estudar! Não só para que eu possa viver novas experiências, mas para que meus alunos também possam ter o máximo de oportunidades possíveis.


“O desafio do professor é inspirar seus alunos a serem os melhores profissionais que podem ser”


Como tem sido a experiência dentro de sala de aula? É uma experiência fantástica! Eu poderia estar ocupando um cargo público, redigindo sentenças, realizando investigações, mas considero que escolhi a tarefa mais nobre de todas as atuações da carreira jurídica: ter as mentes como matéria-prima para ajudar na transformação do nosso país. Considero o principal desafio do professor justamente o de conscientizar o aluno da sua capacidade de ser esse agente transformador. Por isso, o professor não pode se preocupar somente com o conteúdo a ser transmitido, já que os assuntos podem ser facilmente aprendidos através de vídeos e materiais disponíveis na internet. O desafio do professor é inspirar seus alunos a serem os melhores profissionais que podem ser. Para isso, ele mesmo precisa dar sempre o seu melhor.

Qual é o conselho primordial que você daria aos seus alunos? Meu principal conselho aos meus queridos alunos é para nunca deixarem de ter um plano de carreira e de vida. É muito comum ser questionado por eles sobre quais carreiras seguir, quais seriam os próximos passos, e isto me deixa muito feliz, pois eles estão sonhando! O problema começa com a apatia e com o desinteresse. O aluno que só estuda “para passar” sofre desse quadro de indiferença em relação a sua potencialidade. Ser aprovado em disciplinas da faculdade não deve ser o alvo. Mas se o aluno, ao estudar os assuntos da disciplina, já se imaginar um advogado, promotor, juiz, delegado, professor, tendo a seriedade e responsabilidade que as carreiras exigem, ele certamente ocupará uma dessas funções em um futuro bem próximo.

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