15/11/2017

Educação de Engenheiro Coelho registra evasão escolar acima da média

Dados do Estado apontam crescimento no número de alunos que largaram os estudos

Nathália Lima

Educação. Segundo o senso comum, esta é a única maneira pela qual é possível mudar o mundo. Já ouviu-se falar muito a respeito de jovens que param de estudar para trabalhar e sustentar a família. Adolescentes que não têm gosto pela leitura e, consequentemente, não ficam na escola “até o fim”. No Brasil, em 2016, de acordo com o Censo Escolar, a taxa de abandono escolar no Ensino Fundamental foi de 2,2% e o do Ensino Médio 7,5% apenas na rede pública.

Os números apontam, de maneira assertiva, problemas na educação de terras tupiniquins. Apesar de complexo, este é um assunto atual que não afeta apenas cidades das zonas mais populosas do Brasil. A evasão escolar também está presente em municípios pequenos e em fase de desenvolvimento, como Engenheiro Coelho.

O município coelhense, apesar de manter uma constante, apresentou, nos últimos dois censos, altas taxas de evasão escolar, que aumentaram nos últimos dois anos. Os números, disponibilizados pela Secretaria de Educação do Estado, apontam crescimento nas taxas de “fuga” da rede estadual do município.

Apenas no ano passado, 5,37% dos alunos da rede estadual saíram da escola em Engenheiro Coelho. A taxa sofreu aumento na comparação com ano de 2015, quando, de acordo com os dados do Estado, nenhum aluno matriculado na escola estadual do município se afastou dos estudos.

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado informou que o aumento na evasão escolar é resultado contrário do trabalho constante idealizado pelo órgão e supostamente posto em prática pelas instituições da rede. A Pasta desenvolve ações constantes de combate à evasão escolar. “Todas as unidades paulistas de ensino são orientadas a desenvolver ações a fim de evitar o abandono escolar e contam com o auxílio do Conselho Escolar em casos em que não há sucesso no contato com os pais”, acrescenta o comunicado. De acordo com a Secretaria, as escolas ainda devem disponibilizar a opção de compensação de ausência dos alunos que têm até 25% de faltas no ano.

Até o mês de outubro de 2017, a rede estadual de Educação registrou 7% de evasão escolar para alunos do ensino médio. O saldo deste mesmo período para o ensino fundamental é de 3%. Segundo a coordenação da Escola Estadual Antônio Alves Cavaleiro, os resultados são provenientes do bom trabalho realizado pelos profissionais da pasta.

De acordo com o coordenadora Márcia Locatelli, da unidade escolar do Estado, um dos motivos pelos quais os números de evasão escolar ainda crescem no município é a quantidade de famílias itinerantes, que vêm apenas para épocas de safra e não transferem a matrícula dos filhos para as escolas de outros estados do Brasil. “A mudança de cidade desses alunos é um dos nossos principais problemas em relação ao abandono escolar. Quando os pais não pegam a carta de transferência na escola, nós temos de lançar a situação como ‘evasão'”, explica a coordenadora.

A saída para este problema, segundo a profissional de educação, está na proximidade entre a família e a escola. “Quando o aluno apresenta mais de 20% de falta nas aulas, nós encaminhamos o caso para os pais e também para o Conselho Tutelar”, acrescenta Márcia. “Além deste processo, oferecemos, principalmente aos alunos do período noturno que geralmente trabalham durante o dia, a possibilidade de compensação de ausências. Nós fazemos tudo o que está no nosso alcance e dentro da lei”, finaliza.

Quem Falta Faz Falta

A Secretaria da Educação do Estado, a fim de combater a evasão escolar, mantém o programa “Quem Falta Faz Falta”, com o objetivo de reduzir o número de faltas no ano letivo, fazendo com que o aluno permaneça na escola. A partir de uma nova legislação foi estabelecido um teto de 10% de falta, contra os 20% exigidos desde 2008.

Ao identificar ausências não justificadas por mais de uma vez na semana, pais e responsáveis são acionados. As ações incluem telefonemas, envio de comunicado e registro dos casos no Conselho Tutelar e Vara da Infância. No site do projeto estão disponibilizadas legislações sobre o tema e boas práticas que resultaram em prevenção ao abandono escolar.

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