01/02/2018

Psicóloga explica sobre transtorno de ansiedade generalizada

Problemas como insônia, roer unhas, tensão muscular e dores pelo corpo estão relacionadas com o transtorno

Noemi Almeida

Considerado o mal do século, a ansiedade é responsável por aflorar sentimentos ruins e medos dos seres humanos.  Quando excessiva a ansiedade se torna um transtorno. Pessoas que o possuem sentem uma preocupação e medo extremos em situações simples da rotina, além de alguns sintomas físicos, o que atrapalha suas atividades cotidianas, já que eles são difíceis de controlar. A Drª Adriana Reis, psicóloga formada há dez anos, fala sobre transtorno de ansiedade e os sintomas mais comuns em cada caso.

Quais os sintomas de uma pessoa com transtorno de ansiedade? Se uma pessoa passou por uma situação que marcou sua vida negativamente e costuma lembrar-se desta situação, isso pode se tornar parte de um transtorno de ansiedade a partir do momento que essa recordação começa a aparecer constantemente em sua mente. Para aqueles que são muito preocupados ou perfeccionistas, ou geralmente em pessoas que vivem em constante pressão na vida, pessoal ou profissional, e querem que tudo saia conforme, ou melhor, do que tinha planejado estão propensos a sofrer do transtorno de ansiedade. Os pensamentos obsessivos e comportamento compulsivo também podem se desencadear transtorno de ansiedade quando a necessidade de terminar os “rituais”. Os tipos de ansiedade que mais afetam a população mundial atualmente são transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, fobia social.

Existem outras doenças relacionadas com esse transtorno? O corpo físico é um reflexo das emoções, crenças e pensamentos. Sempre que algo não vai bem, o corpo encontra um meio de sinalizar que há um problema. É assim que surgem as doenças e dores emocionais. Somente para ter uma ideia algumas doenças que podem ser causadas de fundo emocional: alergias, anemia, doenças respiratórias, gastrite, ulcera e a obesidade. Sem falar na insônia, roer unhas, tensão muscular e dores pelo corpo. Quando alguém apresenta sintomas físicos, a pessoa que sente taquicardia, o coração dispara e ela vai ao médico achando que está com problema no coração, chegando lá ela faz exames, e não acusando nada, o médico dispensa o paciente dizendo que ele está bem fisicamente. Os exames não acusam nada porque a pessoa não tem nada fisicamente, o sofrimento físico é um reflexo do sofrimento emocional, que está escondido.

Em tempos de crise econômica e preocupações como driblar a ansiedade? Os efeitos da crise econômica tem tido efeito na saúde mental e consequentemente causando mais ansiedade. “O medo de ser demitido, o filho não poderem estar no colégio particular, os passeios não serem tão frequentes, ou seja, perder o padrão de vida conquistado pela família têm incomodado bastante os pacientes que buscam a terapia”. É fundamental desenvolver a resiliência, que é capacidade de se adaptar às fases difíceis ou às mudanças.

Em que grupo há mais crise de ansiedade? Infelizmente, não há mais um grupo específico, ou um grupo que esteja livre de sentir ansiedade. Há alguns anos, as crianças não eram diagnosticadas e sofriam sem saber. Hoje os pais estão ou deveriam estar mais atentos no comportamento da criança, se ela está deprimida ou sofrendo bullying. Os jovens na fase pré-vestibular também têm vários conflitos. Nessa fase, para aqueles que ainda moram com pais, que percebem as mudanças no comportamento dos filhos e tomam a iniciativa de nos procurar. Aqui em nossa cidade, há uma grande universidade onde os jovens saem de casa para estudar sem esta vantagem. Eles são mais propensos e vulneráveis, pois além de estar longe dos pais, saudade, há toda uma situação nova, uma cobrança pelo sucesso acadêmico e muitas vezes em prover seu sustento durante os estudos.

Como ajudar os estudantes e pessoas mais jovens a enfrentar as crises? Veja, eu gostaria de apresentar aqui uma porção mágica, mas infelizmente isso não existe! Eu sempre digo em meu consultório, o que é pior, sentir ansiedade ou trabalhar e mudar o comportamento para eliminar o máximo possível estes sintomas? Não há outro caminho a não ser entender o que é ansiedade, qual tipo de ansiedade o jovem pode estar desenvolvendo e através da Terapia Cognitivo Comportamental a reconhecer os sintomas, criar um plano e desenvolver técnicas de relaxamento para controlar a ansiedade, fazendo com que, consequentemente, cause o mínimo impacto em sua vida diária.

O ansioso precisa redefinir todo o estilo de vida para fugir dos prejuízos causados na saúde física e mental? Sim! Além do apoio da família é importante que o ansioso entenda e reflita que a mudança de pensamento, controlando as emoções e o comportamento, ajudará a controlar as crises e melhorando a vida no dia a dia.Felizmente, existe sim como tratar a ansiedade! Mas como todo processo, ele pode ser muito demorado se você não houver comprometimento na terapia.

Exercícios e práticas simples para relaxar o corpo e a mente são opções para o controle da ansiedade? Existem algumas maneiras naturais de se tratar a ansiedade. Os chás naturais suco de maracujá, chá de camomila, chá de kava-kava e até mesmo algumas verduras como alface, raiz de valeriana são muito bons para acalmar uma pessoa. Exercícios para controlar a ansiedade: pilates, natação, Yoga, corridas e outras técnicas de relaxamento, banho morno, mensagens de afeto, interação social e apoio moral. O importante é buscar sempre um estilo de vida saudável e ter o hábito de dar 5 segundos para pensar nas decisões que você tem que tomar no dia a dia para não fazer nada que vá deixar em estado de tensão.

Que tipo de terapia é a ideal para quem sofre com a ansiedade?  A Terapia Cognitiva Comportamental vem mostrando resultados positivos no tratamento da ansiedade. Durante a psicoterapia a pessoa vai entender melhor como a ansiedade funciona e aprender modos de administrá-la e descobrindo novos modos de enfrentar as dificuldades e modificando as crenças que estão por trás dela. Ou seja, quais os pensamentos negativos que a levam a sentir ansiedade e buscar mudar esses pensamentos e os comportamentos que estão ligados a eles. Independente dos temas abordados, a terapia visa o controle da ansiedade e a melhora na qualidade de vida da pessoa.


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