04/03/2018

Conheça a história da coelhense que superou um câncer cerebral

Stephanie Silva, de 15 anos, superou diversos obstáculos

Michael Harteman

Palavras como luta, superação e vitória, podem soar como clichê em determinados discursos. Entretanto isso não vale para a jovem Stephanie Silva, de 15 anos. Tais termos são, na verdade, a realidade da moradora de Engenheiro Coelho que, há mais de três anos, luta contra as consequências de um dos substantivos mais aterrorizantes da humanidade, o câncer. Ela luta, sem parecer que fez esforço. Supera obstáculos, sem demonstrar canseira. Sorri com a vitória de cada dia.

Stephanie é a filha mais velha de Elen de Azevedo Alves e Jones dos Santos Silva. A família ainda conta com o pequeno Symeon, de 3 anos, Stacey, com 10. A família chegou do Rio de Janeiro em 2014, quando Stephanie tinha 11 anos. Poucos meses após a mudança, algo de anormal começou a ocorrer com ela. “Começou a apresentar sintomas diferentes, tinha tontura, ficava pálida, vomitava e tinha muita dor de cabeça”, conta a mãe. A preocupação tomou conta dos pais, que frequentemente precisavam levar a menina para o hospital. “Eram feitos diversos exames, mas não encontravam nada”, relembra Elen.

A situação rapidamente se agravou. A mãe conta que Stephanie começou a perder peso, além de apresentar um quadro de espasmo muscular. “Ás vezes ela ficava sem enxergar, passava um tempo a visão voltava, me lembro que, quando ela estava com muita dor na cabeça, implorava para que a levássemos ao hospital”, afirma Elen. Nesse ponto, a vida da família Silva já não era normal. Preocupações, noites sem dormir e o sofrimento de não saber o que se passava com a filha mais velha, tomaram conta dos pais. As idas ao hospital se tornavam, rapidamente, mais frequentes. “Tudo ficou insustentável quando ela começou a desmaiar enquanto caminhava, estava andando dentro de casa e de repente estava no chão, desacordada”, conta a mãe.

A certeza de que o problema era extremamente grave aconteceu em setembro de 2014. Uma neurologista deu a notícia que nenhum pai gostaria de ouvir. “Disseram que ela estava com um tumor cerebral, ficamos sem chão”, relembra a mãe. Tumor Neuroectodérmico Primitivo (PNET). Um câncer raro, metastático, agressivo e que lhe renderia apenas alguns dias a mais de vida. “Foi desolador, não dá para descrever”, exclama a mãe, que na época estava grávida do filho mais novo, Symeon. Stephanie ficou internada na Santa Casa de Limeira (SP). “Estava com 6 meses de gestação, o Jones ficou com ela no hospital e eu voltei para cuidar da Stace, que tinha 5 anos.

No hospital, acompanhada do pai, Stephanie não conseguia comer. Os médicos, sem expectativa, acreditavam que a vida da menina terminaria em poucos dias. Em meio ao caos, o casal se apegou na única coisa que sobrou, a fé. “Orávamos muito, as pessoas da igreja que eu frequento também intercedia pela minha filha”, relembra a mãe. Três dias depois da internação, Jones ligou e avisou que a filha seria transferida para o Hospital de Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP). “Deixei a Stacey com uma conhecida e fui para a Limeira, de lá, todos fomos para o Boldrini de ambulância”, afirma Elen. Já em Campinas, a família recebeu explicações mais específicas sobre o tumor da filha. “A médica me mostrou as imagens e explicou que toda a parte esquerda do cérebro da minha filha estava tomado”, afirma a mãe.

Após tentarem, sem sucesso, reduzir o tumor com quimioterapia, foi decidido pela arriscada cirurgia. A pequena Stephanie era por um lado uma vítima de uma grave doença, por outro, era uma fortaleza que mantinha os pais com esperanças. “Por muitos momentos, eu queria chorar, mas eu olhava no olho dela e conseguia me manter forte”, conta Elen.

A Cirurgia

Numa segunda-feira de setembro de 2014, Stephanie entrou numa sala de cirurgia por volta das 10 horas da manhã. As chances eram enormes de que ela não saísse dali com vida. Por vários momentos os médicos pensaram em desistir de retirar o tumor, tamanho era o dano no cérebro da menina. “O médico me contou que uma força maior fez com que ele insistisse em retirar o tumor, ela teve metade da massa encefálica retirada”, relembra Elen. Stephanie saiu da sala de cirurgia com muitas possibilidades de ter graves sequelas. “Coisas como ficar tetraplégica foi cogitado”, comenta Elen. A cena da pós-cirurgia era de uma menina de 11 anos, com a cabeça enfaixada, dormindo. “Ela estava com um rostinho sereno”, afirma Elen.

Algumas horas depois a guerreira acordou e rapidamente reconheceu a mãe. “Nesse momento eu não aguentei, comecei a chorar, ela pegou em minha mãe e pediu para que eu não chorasse”, conta Elen, emocionada. O que se viu a partir daí foi uma criança ainda mais forte, uma rocha que já havia passado por momentos tenebrosos. Três dias depois saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferida para um quarto. “Ela começou a recuperar aos poucos a memória, pedia frutas pela cor e pelo formato”, comenta a mãe.

Sorridente, atenciosa com as enfermeiras, paciente com as diversas agulhas que apareceram em seu caminho, Stephanie cativava a todos. Um simples movimento estava prestes a acontecer e surpreender os médicos. Uma enfermeira presenciou a menina mexendo o braço e perna direita. “Eles ficaram espantados, o médico me falou que aquilo era para demorar para acontecer e que o desenvolvimento dela pós cirurgia estava sendo muito rápido”, relembra a mãe.

Sete dias depois da internação, Stephanie voltou para casa. As três palavras do início do texto passam a ter um significado profundo na vida da menina e da família. A luta diária era retomar os movimentos e reaprender as palavras. Em cada novo desafio, ela encontrava se superava, vencia um a um. Os primeiros passos saíram depois de algum tempo em cadeira de rodas. A colher voltou a ser levada até a boca com o próprio esforço, e que esforço. “A força de vontade dela foi incrível”. No início, as voltas ao hospital eram frequentes. Stephanie não reclamava, aprendeu a aprender. As dificuldades foram encaradas com sorrisos, gentilezas, compreensão e alegria.

Stephanie voltou para escola no início de 2017. Toda a dedicação que apresentou nos mais de dois anos em casa e no hospital, foi levada para o ambiente escolar. O convívio com os amigos a deixou ainda mais feliz. “Os professores ficam admirados com a dedicação e com a evolução dela na escola”, afirma Elen.

Stephanie tem muito a ensinar. Faz planos, conta quais são os cursos que pensa fazer na faculdade. “Vou escolher entre três, ou eu vou ser jornalista, ou veterinária, ou advogada, vou fazer um desses”, conta Stephanie, sorridente. Embora o pior já tenha passado, a luta ainda não terminou. Ela conta que de seis em seis meses precisa voltar ao hospital. “Volto para fazer exames, passo o dia lá, depois voltamos para pegar o resultado”, explica. A jovem tem que fazer vários exames de seis em seis meses. “Eu passo por diversos problemas ainda, é sofrido, mas eu tenho muita vontade de viver”, exclama a adolescente.

Conversar com essa guerreira é ter a oportunidade de ver a vida de um outro prisma. Nossos problemas são pulverizados. “Tem tantas coisas boas na vida, não podemos ficar reclamando no ouvido dos outros, precisamos ver as coisas boas que Deus nos deu e falar do amor dele para com as pessoas”, ensina Stephanie.

Ainda são poucos os anos de Stephanie, apenas 15. Mas são muitas as lições que ela pode nos ensinar. Vive contente, é prestativa dentro de casa, sorridente, comportada, amável, feliz e vencedora. A jovem encanta a todos por onde passa com sua ternura e beleza. Não é clichê, é, de fato, uma lição de vida.

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