19/02/2019

Motoristas são flagrados trafegando em ciclovia de Engenheiro Coelho

Falta de tachões para delimitação do espaço é a principal reclamação dos ciclistas

Mariana Avanzzi

A desejada ciclovia da Avenida Pastor Walter Boger, no Cidade Universitária em Engenheiro Coelho, ficou pronta no final do ano passado (2018). O trajeto possui 814,40 metros de extensão e liga o bairro Lagoa Bonita I até o campus do Centro Universitário Adventista do Estado de São Paulo (Unasp). No entanto, desde o término da obra, ciclistas e pedestres que utilizam a via exclusiva têm enfrentado problemas ao ter que dividi-la com veículos.

Para quem tinha dúvida se era uma ciclovia ou não, hoje, a via está devidamente sinalizada, apesar da falta de tachões para delimitação do espaço. E esse é um dos principais problemas para quem utiliza o local, pois é frequentemente surpreendido por veículos que desviam das lombadas passando sob a via exclusiva para ciclistas. O mal comportamento dos motoristas já deixou um ciclista ferido. Na ocasião, o condutor de uma bicicleta foi lançado no para-brisas do carro e teve que ser levado ao Pronto Socorro.

Com a volta às aulas, o problema tem preocupado os estudantes e moradores que utilizam a mesma. Segundo eles, os motoristas não respeitam o espaço e invadem frequentemente a via exclusiva. “Olha, a qualquer horário do dia você pode parar e nem  precisa esperar, a maioria dos motoristas trafegam pela ciclovia. Eu entendo que o estado da vicinal não é dos melhores, mas isso não justifica colocar a vida de outras pessoas em risco. Assim que acabaram a ciclovia deveriam ter colocado os tachões, acho que só assim pra esse povo parar de desviar pela faixa”, afirma a estudante, Paula Goes, que utiliza a ciclovia.

Na tarde desta segunda-feira (11), um morador chegou a gravar um ônibus circular desviando pela ciclovia. O acontecimento trouxe ainda mais revolta aos munícipes que manifestaram a indignação através das redes sociais. O vídeo e a foto viralizaram, mas há quem discorde da exposição.

Um morador do bairro Jacarandá, que preferiu não se identificar, confessa fazer o mesmo com frequência e diz que o local não tem estrutura para ter uma ciclovia. “Não só eu como 90% dos moradores fazem o mesmo, ou até pior. Já vi gente trafegando pela ciclovia pela contramão. Acontece que quem tem carro, adquirido através de tanto esforço, prefere fazer isso do que ter prejuízos com amortecedores, pneus etc. Olha o estado dessa vicinal, não tem como não desviar desses  buracos. Na minha opinião é muita hipocrisia querer julgar o motorista trabalhador sendo que quem deveria estar sendo exposto são os responsáveis que ao invés de arrumar a vicinal fizeram ciclovia sem ter condições”, opina C.L..

Durante uma entrevista ao Portal Coelhense, o prefeito Pedro Franco (MDB) ressaltou que mesmo que a responsabilidade da via seja inteiramente da Concessionária Rota Das Bandeiras, a prefeitura efetuou reparos por muitas vezes. Ele também falou que se nada for feito pela Rota das Bandeiras, ele planejará uma forma de solucionar o problema de infraestrutura.

“Aquela vicinal é de obrigação da Rota das Bandeiras, porém desde do início nós cuidamos conforme a nossa possibilidade pois não temos condições de fazer um recapeamento. Em conversa com a Concessionária, eles firmaram um compromisso comigo de que vão pegar um período de três a seis meses para recapear os pontos mais críticos. Então, eu acredito que no prazo de no máximo seis meses teremos essa via recapeada’’, expõe o chefe do Executivo.

A equipe de reportagem do Portal Coelhense esteve no local e em menos cinco minutos flagrou cinco motoristas e dois motociclistas utilizando a ciclovia indevidamente. É importante lembrar que além dos perigos e transtornos aos ciclista, trafegar pela ciclovia é passível de multa.

Conforme o Artigo 193 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos a infração é gravíssima e causa um prejuízo de R$ 293,47  e sete pontos na carteira do motorista.

Entramos em contato com a empresa responsável pela frota de ônibus circulares de Engenheiro Coelho, e obtivemos uma resposta da organização. Confira a nota:

“A VB Transportes e Turismo é uma concessionária que mantém contrato com o Governo do Estado, por intermédio do órgão gestor EMTU. Como qualquer outra concessionária do setor, a VB segue as determinações da EMTU que, por sua vez, precisaria ser informada pelas prefeituras toda vez que ocorresse algum tipo de mudança ou alteração no viário, como nos sugere o caso em questão.
Esse contato entre esses órgãos é imprescindível para que providências em relação à mudança de pontos sejam feitas, por exemplo. Sabemos que as questões relacionadas ao uso e ocupação de solo são de responsabilidade direta dos municípios. Portanto, talvez até por desconhecimento do ‘denunciante’, a VB não tem autonomia e muito menos responsabilidade para fazer paradas em outros locais que não forem os definidos pela EMTU. A EMTU, por sua vez  precisa ser comunicada pelo  órgão municipal e  então, em comum acordo, deverá efetuar as adequações necessárias.
É importante que isso fique claro pois, caso a concessionária pare os seus veículos em locais não autorizados (pontos de embarque e desembarque) e previamente determinados, ela poderá ser autuada pelo órgão gestor. Enfatizamos que a concessionária não tem autonomia e, portanto, não pode ser responsabilizada se não houve um contato prévio entre o Município e o Estado, o que nos parece pertinente para a referida situação.
Em síntese, nenhuma concessionária que opera o transporte metropolitano pode mudar os horários, itinerários, frequências e demais itens técnicos que constam das Ordens de Serviço (OS) emitidas pela EMTU.
A VB, tão logo tomou conhecimento da ‘denúncia’, após o contato feito por esse prestigioso órgão de Imprensa, imediatamente comunicou a EMTU que, por sua vez, nos informou não ter recebido informações sobre a inauguração da referida ciclovia. E, de pronto, mandou que técnicos do órgão vão ao local para tomar as providências e fazer contato com a Prefeitura”.

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