03/09/2019

Setembro Amarelo: moradora de Engenheiro Coelho conta como luta contra a depressão

Cidade coelhense registra aumento de 33% em casos de suicídios

Mariana Avanzzi

Sensação de cansaço frequente, falta de ânimo, tristeza profunda e vontade de desaparecer. Esses são alguns sintomas de quem um dia já tentou tirar a própria vida. Este mês, acontece em todo Brasil a Campanha do Setembro Amarelo, contra o suicídio e a favor da valorização da vida. Mas o que leva uma pessoa atentar contra a própria vida? A jovem coelhense, que prefere não ser identificada, nos conta como luta contra a depressão e qual sentimento que há fez tentar suicídio.

Era um dia comum, como qualquer outro, mas a tristeza invadia o coração da jovem de 23 anos. “Me lembro de lamentar por ter acordado e tentava dormir mais e não conseguia com todos os pensamentos de tristeza. Eu não queria mais pensar, viver e estar ali. Eu só queria sumir e me livrar de todos os pensamentos”, relembra a jovem. Apesar de estar em estado profundo de depressão, a jovem tentava ter pensamentos positivos. “Eu nunca me senti uma pessoa fraca, sou muito forte. Eu tentava forçar minha cabeça e pensar em coisas que me faziam bem, mas nem assim me animava. É como se aquelas coisas que eu gostava, não tivessem mais nenhum valor” , explica.

Ela sabia que havia algo errado, mas o desejo de se livrar do que estava sentindo era maior do que qualquer coisa. É nesse desejo onde mora o maior perigo. Em Engenheiro Coelho, o crescimento do número de suicídios subiu 33% em um ano. Conforme os registros na Delegacia de Polícia Civil de Engenheiro Coelho, quatro casos foram consumados no município coelhense em 2018.

A jovem coelhense, já mencionada, sobreviveu a uma tentativa de suicídio em fevereiro deste ano. “Eu tomei todos os medicamentos de tratamento da depressão. Não me lembro como decidi fazer isso. Eu só sei que queria fazer qualquer coisa para esquecer os pensamentos que atormentavam minha cabeça”, conta.

Hoje, ela faz acompanhamento e enfrenta uma luta diária contra a doença do século; a depressão. Diante do aumento no número de casos, o suicídio passou a ser considerado questão de saúde pública. Segundo especialistas, é preciso saber conversar sobre o tema, pois o silêncio não evita que uma pessoa tire a própria vida.

Setembro Amarelo

Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. A iniciativa é do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, por iniciativa da International Association for Suicide Prevention. A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão.

A profissional de saúde mental, Jéssica Rovaris de Lins dá algumas dicas e informações sobre o assunto.

Como identificar?

Qualquer mudança no comportamento de um indivíduo deve servir de alerta para as pessoas próximas. Isolamento, perda de interesse em coisas que gostava de fazer, falas como “a vida não tem sentido” “gostaria de acabar com isso” são sinais que devem ser percebidos e levados em conta. Os pais que tem crianças ou adolescentes também devem estar sempre ligados ao que o filho pesquisa na internet. Pesquisas sobre como usar medicações, como utilizar armas, são grandes alertas.

Como ajudar? 

Falas preconceituosas como: “isso é bobeira”; “existem pessoas sofrendo bem mais que você”; não irão ajudar, muito pelo contrário. Muitas vezes a pessoa está pedindo ajuda, e a outra não compreende. Entender que quando alguém pensa em suicídio, não está sendo egoísta, nem querendo chamar a atenção, mas sim querendo acabar com aquele sofrimento que faz com que ela não veja razão em viver. Então ouvir atentamente sem julgar, demonstrar empatia, mostrar para o indivíduo que você está ali com ele, e buscar ajuda profissional imediatamente junto com a pessoa, são as melhores formas de ajudar.

Existe um fator determinante?

Pessoas com transtornos mentais que não tem o tratamento adequado são um grupo de risco. Também o acesso imediato a um método para cometer suicídio é um importante fator determinante (como ter uma arma de fogo em casa). E a exposição ao suicídio, tanto na vida real, como na virtual (através de fotos, vídeos) podem influenciar em um comportamento suicida.

Como prevenir?

O preconceito sobre o assunto piora a situação, pois não falar sobre o assunto não evita que o problema aconteça, muito pelo contrário. Então, buscar informações, buscar ajuda profissional, falar sobre o assunto com as pessoas com quem se convive, são alguns fatores de prevenção.

Tratar do assunto é importante?

O suicídio se tornou uma questão de saúde pública. Atualmente, os profissionais de todas as esferas estão buscando saber mais sobre o assunto para saber como lidar com uma pessoa que pensa em suicídio. Existem campanhas, como o Janeiro Branco que trata da importância da saúde mental, e o Setembro Amarelo, que busca informar a população sobre o tema do suicídio. Já está mais do que na hora de falarmos abertamente sobre transtornos mentais, pois as doenças da mente são tão graves como as doenças físicas.

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